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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Urubus e Sabiás



"Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos falavam... Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza eles haveriam de se tornar grandes cantores. E para isto fundaram escolas e importaram professores, gargarejaram dó-ré-mi-fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si, para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam a permissão para mandar nos outros. Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de carreira, era se tornar um respeitável urubu titular, a quem todos chamam de Vossa Excelência. Tudo ia muito bem até que a doce tranqüilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. A floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que brincavam com os canários e faziam serenatas para os sabiás... Os velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa , e eles convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.
— Onde estão os documentos dos seus concursos? E as pobres aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais coisas houvessem. Não haviam passado por escolas de canto, porque o canto nascera com elas. E nunca apresentaram um diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam simplesmente...
— Não, assim não pode ser. Cantar sem a titulação devida é um desrespeito à ordem.
E os urubus, em uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem alvarás...
MORAL: Em terra de urubus diplomados não se houve canto de sabiá."

Rubem Alves - texto extraído do livro "Estórias de quem gosta de ensinar — O fim dos Vestibulares", editora Ars Poetica — São Paulo, 1995.





sábado, 23 de julho de 2011

Menos tutela e mais educação autônoma



Muitas pessoas não conseguem pensar e agir por si mesmas. Dependem das opiniões alheias; estão atreladas emocionalmente a figuras paternalistas familiares, religiosas, midiáticas ou políticas. Quanto mais paternalismo nas relações sociais, quanto mais tutela necessitamos, menos aprendemos a ser livres, a evoluir como pessoas e como sociedade.


A educação integral e de qualidade é um caminho fundamental para conseguir crescer, evoluir, libertar-nos das injunções da infância, da dependência de modelos herdados, da necessidade de tutela permanente. A educação de qualidade nos fornece instrumentos para tomar nossas decisões, para fazer melhores escolhas, para não sermos manipulados por outras pessoas, por mais importantes que tenham sido na nossa vida.


Não podemos contentar-nos em preparar pessoas para o mercado de trabalho, mas para a vida, para serem melhores pessoas e realizar-se em todas as dimensões. Quando vemos muitas pessoas que passaram pela escola e se transformaram em adultos medrosos, com dificuldade de pensar por si mesmas, constatamos que algo falhou no processo. São muitas as pessoas que não conseguem compreender além das aparências, que têm opiniões fundamentadas, que desenvolvem visões interessantes de mundo, que conseguem mostrar uma trajetória de vida rica e estimulante.


Nossa educação familiar e escolar será importante quando produza resultados perceptíveis socialmente; quando transforme filhos e alunos em pessoas mais abertas, autônomas e realizadas, em cada etapa das suas vidas, quando não necessitemos de tantas "autoridades" nos guiando, aconselhando e decidindo tudo por nós. (José Manuel Moran).


Educar para a emancipação, "desalienando"

os sujeitos para serem protagonistas da história,

é tarefa essencial para uma relação de liberdade

e abertura ao humanismo social, fazendo-nos

comprometimento com uma educação integral que promove a vida.

palavraemmim.blogspot.com





quinta-feira, 31 de março de 2011

O que é educação



A educação é concebida como “produção do saber”, pois o homem é capaz de elaborar ideias, possíveis atitudes e uma diversidade de conceitos. O ensino como parte da ação educativa é vista como processo, no qual o professor é o responsável pela socialização do saber escolar. Saviani enfatiza o currículo escolar, a escrita e o conhecimento científico, colocando a escola como mediadora entre o saber popular e o saber erudito, no sentido de sua superação. “Pela mediação da escola, dá-se a passagem do saber espontâneo ao saber sistematizado, da cultura popular à cultura erudita”. O saber popular seria o ponto de partida e o saber científico o ponto de chegada. A igualdade para Saviani estaria no acesso ao saber sistematizado, portanto, pelo ponto de chegada. Ele deixa clara a função direta e de intervenção do professor, na medida em que possui o saber teórico, sendo o responsável pela socialização desse saber. Cabe ao educando apreender os conteúdos para ultrapassar o saber espontâneo e produzir conhecimento sistematizado. Neste sentido Saviani afirma que: “professor e aluno são vistos como agentes sociais”. Há, portanto, em Saviani, um projeto político-pedagógico de compromisso de mudança social, objetivando uma sociedade igualitária. Saviani compreende o ser humano como produtor, uma vez que necessita produzir para sua própria existência, essa produção se da através do trabalho, sendo essa a principal diferença entre o homem e os outros animais, pois o homem por ser racional utiliza-se desse saber para conquistar o lugar de destaque entre os demais. Na sua concepção o compreende também por práxis e cultural, já que possui habilidades capazes de intervir na transformação, portanto no desequilíbrio da natureza. Saviani também admitiu o caráter dinâmico real, como define a concepção humanista moderna, em que a existência antecede a essência, dito de outra forma, a natureza humana é mutável, determinada pela existência “a priori”. Essa concepção “humanista existencialista”, segundo Saviani, abrange as correntes tais como o Pragmatismo, Vitalismo, Historicismo, Existencialismo e Fenomenologia. A sociedade está no indivíduo, assim como o indivíduo está na sociedade. Desse modo, determinando e evoluindo no sentido de uma nova formação sócia.

Demerval Saviani

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Para educar...


1) Deve existir uma reflexão crítica entre a relação Teoria/ Prática, para que nenhuma perca seu sentido ou importância.

2) O professor não pode somente transferir conhecimento, devendo haver uma troca de ensinamentos e aprendizagens entre educador e educando (este, cada vez mais curioso, poderá criar sempre mais).

3) É preciso reforçar a capacidade crítica do educando e sua insubmissão, dentro de uma rigorosidade metódica, para que ele não se torne um simples "memorizador".

4) Os conhecimentos dos alunos têm que ser respeitados, principalmente daqueles vindos de classes mais baixas, e aplicá-los aos conteúdos ensinados (REALIDADE DENTRO DO APRENDIZADO).

5) A crítica deve estar inserida no ensino, a partir da curiosidade dos alunos. Esta, inicialmente ingênua, ao ser superada, pode tornar-se epistemológica, com a aplicação da prática pedagógico-progressista.

6) Necessidade de decência e pureza (que não pode ser entendida como puritanismo). Se o ensino for transformado em pura técnica, o educador distancia-se da ética.

7) É necessário ensinar o educando a PENSAR CERTO.

8) Deve-se assumir a identidade cultural de cada um, assunção esta incompatível com os pensamentos elitistas.

9) O professor tem que estar ciente de que suas atitudes podem influenciar profundamente a vida de um aluno, positiva ou negativamente.

10) O conhecimento do professor precisa ser vivido por ele, encarnado, para que se transforme em prática aplicável.

11) O ensino e sua prática não podem ser tratados como algo definitivo, são passíveis de mudança. O ser humano também é inacabado e justamente por isso, o ato de ensinar/aprender deve ser permanente.

12) É necessária a consciência de que as pessoas podem ser CONDICIONADAS de acordo com o meio. Porém, isto não significa que elas sejam DETERMINADAS por ele (os obstáculos não são eternos).

13) O respeito pela autonomia do aluno é exigido pela ética. Cada um possui particularidades e pensamentos que não podem ser minimizados ou ridicularizados. Se isto acontecer, a ética é transgredida.

14) Sobre a avaliação: seria boa uma forma na qual fosse feita junto com os alunos, pois a avaliação é para eles, e não para o educador.

15) Para a realização da docência decente, devem existir condições favoráveis, higiênicas, espaciais e estéticas. O corpo docente deve lutar pelos seus direitos (como um salário digno), isto faz parte da prática de lecionar.

16) Se a educação é ofendida (principalmente nas escolas públicas), o professor deve tomar uma postura política que o permita lutar contra esta ofensa, além de repensar sobre a eficácia das greves.

17) Deve haver alegria e esperança. A esperança faz parte do ser humano, e negá-la contradiz a prática progressista da educação e a ética (sempre contra a frase: "O QUE FAZER? A REALIDADE É ASSIM MESMO").

18) O futuro deve ser tratado como problema, que pode ser solucionado, e não como inexorável. Com base nisso, o professor tem que estar convencido de que mudanças são possíveis, por exemplo, com relação aos favelados e aos sem-terra.

19) O professor, assim como o aluno, também é movido pela curiosidade. Ela é a mola propulsora do aprendizado e do ensino do educador, da construção e produção de conhecimentos. Proporciona um diálogo entre o professor e o aluno.

20) É preciso tomar muito cuidado com a relação autoridade-liberdade, sempre ameaçadas pela prática do autoritarismo e da licenciosidade, prática esta que pode acabar levando a disciplina à indisciplina.

21) O educador tem que ser seguro, competente e generoso, atitudes estas que exigem esforço e moralidade.

22) Não se deve falar de cima para baixo, achar que é o dono da verdade. Um educador não deve falar PARA o educando, mas sim COM ele, e isso só é possível quando o educador sabe escutar.

Paulo Freire

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Educar é experienciar


Educar é colaborar para que professores e alunos – nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos.

Na sociedade da informação todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social.

Uma mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece quando conseguimos integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e corporais.

Passamos muito rapidamente do livro para a televisão e vídeo e destes para o computador e a Internet, sem aprender e explorar todas as possibilidades de cada meio.

Podemos transformar uma parte das aulas em processos contínuos de informação, comunicação e de pesquisa, aonde vamos construindo o conhecimento equilibrando o individual e o grupal, entre o professor-coordenador-facilitador e os alunos-participantes ativos. Aulas-informação, onde o professor mostra alguns cenários, algumas sínteses, o estado da arte, as coordenadas de uma questão ou tema. Aulas-pesquisa, onde professores e alunos procuram novas informações, cercar um problema, desenvolver uma experiência, avançar em um campo que não conhecemos. O professor motiva, incentiva, dá os primeiros passos para sensibilizar o aluno para o valor do que vamos fazer, para a importância da participação do aluno neste processo. Aluno motivado e com participação ativa avança mais, facilita todo o nosso trabalho. O papel do professor agora é o de gerenciador do processo de aprendizagem, é o coordenador de todo o andamento, do ritmo adequado, o gestor das diferenças e das convergências.

O professor procura ajudar a contextualizar, a ampliar o universo alcançado pelos alunos, a problematizar, a descobrir novos significados no conjunto das informações trazidas. Assim, o conhecimento que é elaborado a partir da própria experiência se torna muito mais forte e definitivo em nós.

José Manuel Moran


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Tecnologias e mudanças na educação


Numa sociedade cada vez mais conectada, ensinar e aprender podem ser feitos de forma muito mais flexível, ativa e focada no ritmo de cada um. As tecnologias móveis desafiam as instituições a sair do ensino tradicional em que o professor é o centro, para uma aprendizagem mais participativa e integrada, com momentos presenciais e outros a distância, mantendo vínculos pessoais e afetivos, estando juntos virtualmente. Podemos ir menos dias à universidade e continuar aprendendo de forma significativa. Isso implica em ampliar a restrição dos vinte por cento a distância nos cursos presenciais, em mudar o currículo presencial, as metodologias de organização do ensinar e aprender (também no ensino médio). Os cursos serão cada vez mais semi-presenciai e a distância, mas sempre com tecnologias em rede leves e móveis.
As tecnologias digitais facilitam a pesquisa, a comunicação e a divulgação em rede. Temos as tecnologias mais organizadas, como os ambientes virtuais de aprendizagem – como o Moodle e semelhantes – que permitem que tenhamos um certo controle de quem acessa ao ambiente e do que precisa fazer em cada etapa de cada curso. Além desses ambientes mais formais, há um conjunto de tecnologias, que denominamos popularmente de 2.0, mais abertas, fáceis, gratuitas (blogs, podcasts, wikis...), onde os alunos podem ser protagonistas dos seus processos de aprendizagem e que facilitam a aprendizagem horizontal, isto é, dos alunos entre si, das pessoas em redes de interesse, etc. A combinação dos ambientes mais formais com os informais, feito de forma integrada, nos permite a necessária organização dos processos com a flexibilidade da adaptação à cada aluno.
Todos os processos se digitalizam, tanto os administrativos como os pedagógicos, tudo se integra com tudo, tudo e todos podem falar com todos. Isso agiliza a tomada de decisões, permite a horizontalização de processos de envolvimento de todos, diminui a burocracia, torna as estruturas físicas mais compactas e as acadêmicas mais leves. Nos mesmos prédios podemos colocar muitos mais alunos, porque pode ser programada uma maior rotatividade de ocupação de espaços, uma diminuição de tempos necessários de estarmos todos juntos nos mesmos lugares e tempos. Precisamos tornar a organização curricular mais semipresencial e flexível, com metodologias mais centradas nos alunos, na colaboração e na adequação a ritmos de aprendizagem diferentes.Tudo isso exige mudanças organizacionais e legais profundas, que até agora não foram encaradas de verdade tanto pelos legisladores, pelos órgãos educacionais reguladores como pelos mantenedores e gestores educacionais. Essas mudanças profundas ainda estão só no começo e nos desafiam a todos a sermos cada vez mais criativos e empreendedores.

José Manuel Moran

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mudar a forma de ensinar e aprender

Educar é colaborar para que professores e alunos – nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos.
Na sociedade da informação todos estamos reaprendendo a conhecer, a comunicar-nos, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o individual, o grupal e o social.
Uma mudança qualitativa no processo de ensino/aprendizagem acontece quando conseguimos integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as audiovisuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e corporais.
Passamos muito rapidamente do livro para a televisão e vídeo e destes para o computador e a Internet, sem aprender e explorar todas as possibilidades de cada meio.
Podemos transformar uma parte das aulas em processos contínuos de informação, comunicação e de pesquisa, aonde vamos construindo o conhecimento equilibrando o individual e o grupal, entre o professor-coordenador-facilitador e os alunos-participantes ativos. Aulas-informação, onde o professor mostra alguns cenários, algumas sínteses, o estado da arte, as coordenadas de uma questão ou tema. Aulas-pesquisa, onde professores e alunos procuram novas informações, cercar um problema, desenvolver uma experiência, avançar em um campo que não conhecemos. O professor motiva, incentiva, dá os primeiros passos para sensibilizar o aluno para o valor do que vamos fazer, para a importância da participação do aluno neste processo. Aluno motivado e com participação ativa avança mais, facilita todo o nosso trabalho. O papel do professor agora é o de gerenciador do processo de aprendizagem, é o coordenador de todo o andamento, do ritmo adequado, o gestor das diferenças e das convergências.
O professor procura ajudar a contextualizar, a ampliar o universo alcançado pelos alunos, a problematizar, a descobrir novos significados no conjunto das informações trazidas. Assim, o conhecimento que é elaborado a partir da própria experiência se torna muito mais forte e definitivo em nós.

José Manuel Moran

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Aprender


"O professor pensa ensinar o que sabe,

o que recolheu nos livros e da vida,

mas o aluno aprende do professor

não necessariamente o que o outro quer ensinar,

mas aquilo que quer aprender."

Affonso Romano de Sant’Anna

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Teia de palavras


Uma aranha fez sua teia num canto do meu escritório. Eu a descobri ontem e, com a minha vassoura, tratei de me livrar dela. Teias de aranha são sinais de descaso e eu não queria que aqueles que me visitam pensassem mal de mim. Mas hoje ela está no mesmo lugar. Durante a noite refez sua teia. Acho que ela gostou do lugar, me perdoou e confia na minha compreensão. Compreende. E decidi que ela vai ser minha companheira. Embora ela não saiba falar, ela me fez pensar. Confesso que a aranha me fascinou. Primeiro por aquilo que vejo. Lá está ela, segura e feliz, pendurada sobre o vazio. Não existe hesitação alguma nos seus passos. Suas longas pernas se movem sobre os finos fios de sua teia com tranqüila precisão, como se fossem dedos de um violinista, dançando sobre as cordas. Sua teia é coisa frágil, feita com fios quase invisíveis. E, no entanto, é perfeita, simétrica, bela, perfeitamente adequada ao seu propósito. Mas o fascínio tem a ver com aquilo que não vejo e só posso imaginar. Imagino aquela criaturinha quase invisível suas patas coladas à parede. Ela vê as outras paredes, tão distantes, e mede os espaços vazios. E só pode contar com uma coisa para o trabalho incrível que está para ser iniciado: um fio, ainda escondido dentro de seu corpo. E, então repentinamente, um salto sobre o abismo, e um universo começa a ser criado...
Em outros tempos acho que fui um bom professor. Como a aranha eu sabia tecer a minha teia de palavras. Eu sabia o que ensinava e só ensinava o que sabia... Bons professores, como a aranha, sabem que lições, estas teias de palavras, não podem ser tecidas no vazio. Elas precisam de fundamentos. Os fios, por finos e leves que sejam, têm de estar amarrados a coisas sólidas: árvores, paredes, caibros. Se as amarras são cortadas a teia é soprada pelo vento, e a aranha perde a casa...”Professores sabem que isto vale também para a educação...

Rubem Alves - Livro: O POETA, O GUERREIRO, O PROFETA

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Simplesmente pessoas


"Os educadores precisam compreender que

ajudar as pessoas a se tornarem pessoas

é muito mais importante do que

ajudá-las a tornarem-se matemáticas,

poliglotas ou coisa que o valha."

Carl Rogers

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Educar é humanizar...

Aprender sempre foi um estímulo para todos nós, seja na área do conhecimento, no esporte, nos jogos, nas brincadeiras, nas conversas, nos filmes ou desenhos que assistimos. Ficamos satisfeitos quando descobrimos algo novo, seja através de recursos formais ou informais. E quando falamos em educação logo nos referimos à aprendizagem e sabemos da sua importância em nossas vidas, mas será que estamos dando o estímulo necessário para que nossos alunos consigam aprender com vontade e êxito?Hoje temos uma facilidade imensa para buscarmos o conhecimento, a tecnologia está cada vez mais avançada e interessante, os nossos alunos cada vez mais envolvidos nesse mundo. E a escola será que só conseguirá atingir seus alunos através da tecnologia?
Digamos que a escola não poderá de forma alguma abrir mão desses recursos, mas não é apenas isso, não podemos esquecer o nosso foco que é o aluno, precisamos sim utilizar recursos, nos prepararmos muito enquanto professores, proporcionar aulas que prendam a atenção dos alunos, fazer com que os estes participem da construção do conhecimento. Precisamos, porém, sempre procurar caminhos para que o aluno consiga aprender, não usando os recursos por modismo ou porque a maioria das escolas está utilizando, mas porque acreditamos que podemos oferecer alternativas para tornar a aprendizagem mais eficiente.
Precisamos ficar atentos aos alunos que apresentam dificuldades em sala de aula, acreditar que eles também conseguem aprender, muitas vezes precisamos encontrar formas diferenciadas para facilitar essa aprendizagem.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Educar...


"Educar é um exercício de imortalidade.

De alguma forma continuamos a viver

naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo

pela magia da nossa palavra.

O professor, assim, não morre jamais...

Entendo assim a tarefa primeira do educador:

Dar aos alunos a razão para viver”.

Rubem Alves

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Aprendendo com e ao longo da vida


A educação é um lento processo de aprender o que é significativo para a vida, de aprender a tornar-se cada vez mais livre, mais independente de tudo o que nos foi imposto, trazido de fora.
A educação é aprender a discernir, escolher o que vale a pena entre tantas informações, emoções e valores que nos transmitiram.
A educação é um processo contraditório de libertação, de fazer nossas escolhas conscientes, de viver nossa vida e não a dos outros, de evoluir na direção de uma maior autonomia e realização.
A educação é um processo complexo, rico, tenso de tornar a vida importante, de achar o lugar, as atividades, as pessoas significativas.
O maior desafio que temos é aprender a transformar-nos em pessoas cada vez mais humanas, sensíveis, afetivas e realizadas. De nada adianta, saber muito, se não o aplicamos nas nossas vidas.
A educação, sem dúvida, tem uma dimensão claramente social, de aprender com a experiência dos outros, de saber conviver com as diferenças, de contribuir para melhorar a sociedade em que nos encontramos. Mas possui também uma dimensão: a do desenvolvimento pessoal integrado, constante e transformador. A educação pessoal acontece ao longo de nossa vida, no desafio maravilhoso de crescer, de evoluir mais em todas as áreas, de tornar-nos pessoas mais livres, de aprender a conviver com nossas dificuldades, de aprender a conviver com as pessoas, com os animais, com o planeta, com o universo.
A educação é eficaz quando consegue que cada um de nós se sinta motivado internamente a querer conhecer mais e a procurar mudar o seu comportamento, as atitudes e os valores ao longo da vida.
Aprendemos pouco, quando só focamos o lado profissional, quando só queremos aprender para ganhar mais dinheiro. Aprendemos pouco quando nos acomodamos e não acreditamos que possamos evoluir mais. Aprendemos pouco quando mostramos uma face externa para os outros que não corresponde ao que intimamente percebemos; aprendemos pouco quando não acreditamos que valha a pena perseverar no processo de crescer sempre, de entender melhor, de aceitar-se, de tentar as mudanças possíveis.
A educação é eficaz quando nos ajuda a enfrentar as crises, as etapas de incerteza, de decepção, de fracasso em qualquer área e nos ajuda a encontrar forças para avançar e achar novos caminhos de realização.
A educação é eficaz a longo prazo, no “Enade” da vida, quando, em determinados períodos, olhamos para trás e avaliamos o que construímos, onde avançamos, onde nos perdemos; e quando olhamos para o presente e analisamos se continuamos aprendendo, se nos sentimos pessoas mais amadurecidas emocionalmente, intelectualmente, eticamente.
O desafio mais interessante da nossa vida é transformá-la em um processo contínuo de aprendizagem, de evolução e de realização – no meio de contradições; um processo cada vez mais pleno, autêntico, rico e profundo.
José Manuel Moran

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Aprender a ensinar


Só podemos ensinar até onde conseguimos aprender. E se temos tantas dificuldades em ensinar, entre outras coisas, é porque aprendemos pouco até agora. Se admitíssemos nossa ignorância quase total sobre tudo - tanto docentes como alunos - estaríamos mais abertos para o novo, para aprender. Mas ao pensar que sabemos muito, limitamos nosso foco, repetimos fórmulas, avançamos devagar.
Sabemos muito, mas não sabemos o principal. Temos conhecimentos pontuais, mas nos falta o referencial maior, o que dá sentido ao nosso viver. Por que e para que aprendemos? Quando só temos objetivos utilitaristas - como conseguir um diploma, um emprego, ganhar dinheiro - isso concentra nossos esforços, mas estreita nosso raio de visão, de percepção.
Ensinar não é só falar, mas comunicar-se com credibilidade. É falar de algo que conhecemos intelectual e vivencialmente e que, pela interação autêntica, contribua para que os outros e nós mesmos avancemos no grau de compreensão do que existe.
Ensinaremos melhor se mantivermos uma atitude inquieta, humilde e confiante com a vida, com os outros e conosco, tentando sempre aprender, comunicar e praticar o que percebemos até onde nos for possível em cada momento. Isso nos dará muita credibilidade, uma das condições fundamentais para que o ensino aconteça. Se inspirarmos credibilidade, poderemos ensinar de forma mais fácil e abrangente. A credibilidade depende de continuar mantendo a atitude honesta e autêntica de investigação e de comunicação, algo não muito fácil numa sociedade ansiosa por novidades e onde há formas de comunicação dominadas pelo marketing, mais do que pela autenticidade.
Só pessoas livres - ou em processo de libertação - podem educar para a liberdade, podem educar livremente. Só pessoas livres merecem o diploma de educadoras. Necessitamos de muitas pessoas livres na educação que modifiquem as estruturas arcaicas, autoritárias do ensino. Só pessoas autônomas, livres podem transformar a sociedade.
José Manual Morin

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Como tornar o conhecimento apaixonante


Para dirigir abertamente um projeto de conhecimento,
deve-se, então, ser capaz de suscitar
uma paixão desinteressada pelo saber,
pela teoria, sem tentar justificá-la,
pelo menos durante a escolaridade de base,
por um uso prático que será o apanágio de alguns especialistas.

Como tornar o conhecimento apaixonante por si mesmo?
Essa não é somente uma questão de competência,
mas de identidade e projeto pessoal do professor. Infelizmente,
nem todos os professores apaixonados
dão-se o direito de partilhar sua paixão,
nem todos os professores curiosos conseguem tornar seu amor
pelo conhecimento inteligível e contagioso.

A competência aqui visada passa pela arte de comunicar-se,
seduzir, encorajar, mobilizar, envolvendo-se como pessoa.
A paixão pessoal não basta, se o professor não for capaz de estabelecer uma cumplicidade e uma solidariedade verossímeis na busca do conhecimento.

Ele deve buscar com seus alunos,
mesmo que esteja um pouco adiantado,
renunciando a defender a imagem do professor “que sabe tudo”,
aceitando mostrar suas próprias divagações e ignorâncias,
não cedendo à tentação de interpretar a comédia do domínio,
não colocando sempre o conhecimento ao lado da razão,
da preparação do futuro e do êxito.
Quanto aos professores que se mostram impassíveis
diante dos conhecimentos que ensinam,
como esperar que suscitem a menor vibração em seus alunos?

“10 Novas Competências para Ensinar”- Philippe Perrenoud

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Educar...


Educar é viajar no mundo do outro sem nunca penetrar nele.
É usar o que pensamos para nos transformar no que somos.
O maior educador não é o que controla, mas o que liberta.
Não é o que aponta os erros, mas o que os previne.
Não é o que corrige comportamentos, mas o que ensina a refletir.
Não é o que observa apenas o que é tangível aos olhos,
mas o que vê o invisível. Não é o que desiste facilmente,
mas o que estimula sempre a começar de novo.
Um bom educador abraça quando todos rejeitam;
anima quando todos condenam;
aplaude os que nunca subiram ao pódio;
vibra com a coragem de disputar dos que

ficaram nos últimos lugares.
Não procura o seu próprio brilho,
mas faz-se pequeno para tornar os seus filhos,
alunos e colegas de trabalho grandes.
Que educador daria conta desta missão?
Fernando Pessoa

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A escola que desejamos...


Há um descompasso crescente entre os modelos tradicionais de ensino
e as novas possibilidades que a sociedade já desenvolve informalmente
e que as tecnologias atuais permitem.
A maior parte do que se ensina não é percebido pelos alunos como significativo.

Uma boa escola depende fundamentalmente de contar
com gestores e educadores bem preparados, remunerados,
motivados e que possuam comprovada competência intelectual,
emocional, comunicacional e ética.

Uma boa escola precisa de professores mediadores de processos
de aprendizagem vivos, criativos, experimentadores, presenciais-virtuais.
De professores menos “falantes”, mais orientadores; de menos aulas informativas
e mais atividades de pesquisa, experimentação, desafios projetos.

Uma escola que fomente redes de aprendizagem, entre professores e entre alunos;
que aprendam com os que estão perto e também longe,
conectados, com os mais experientes ajudando aos que têm mais dificuldades.

Uma escola que privilegie a relação com os alunos, a afetividade,
a motivação, a aceitação, o reconhecimento das diferenças.
Que dê suporte emocional para que os alunos acreditem em si,
sejam autônomos, aprendam a analisar situações complexas
e a fazer escolhas cada vez mais libertadoras.

Uma escola que se articule efetivamente com os pais (associação de pais),
com a comunidade, que incorpore os saberes dela.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Escolas, gaiolas ou asas...


"Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas".
Escolas que são gaiolas existem para que
os pássaros desaprendam a arte do vôo.
Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.
Engaiolados, o seu dono pode levá-las para onde quiser.
Pássaros engaiolados sempre têm um dono.
Deixaram de ser pássaros.
Porque a essência dos pássaros é o vôo.

Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados.
O que elas amam são os pássaros em vôo.
Existem para dar aos pássaros coragem para voar.
Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer,
porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado.
Só pode ser encorajado.

Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola?
Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende?
Violentos, os adolescentes?
Ou serão as escolas que são violentas?
As escolas serão gaiolas?
Nossas escolas estão dando uma boa educação?
O que é uma boa educação?
Sentir alegria ao sair de casa para ir à escola?
Ter prazer em ensinar?
Amar os alunos?
O sonho é livrar-se de tudo aquilo?


"Ferramentas" são conhecimentos que nos
permitem resolver os problemas vitais do dia-a-dia.
"Brinquedos" são todas aquelas coisas que,
não tendo nenhuma utilidade como ferramentas,
dão prazer e alegria à alma.

Nessas duas palavras, ferramentas e brinquedos,
está o resumo da educação.
Ferramentas e brinquedos não são gaiolas. São asas.
Ferramentas me permitem voar pelos caminhos do mundo.
Brinquedos me permitem voar pelos caminhos da alma.
Quem está aprendendo ferramentas e brinquedos
está aprendendo liberdade, não fica violento.
Fica alegre, vendo as asas crescer...
Assim todo professor, ao ensinar, teria de se perguntar:
"Isso que vou ensinar, é ferramenta? É brinquedo?"
Se não for, é melhor deixar de lado.

As estatísticas oficiais anunciam o aumento das escolas
e o aumento dos alunos matriculados.
Esses dados não me dizem nada.
Não me dizem se são gaiolas ou asas.
Mas eu sei que há professores que
amam o vôo dos seus alunos.
Há esperança...

Rubem Alves

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Somos educadores


Num sentido amplo, todos somos educadores.

Todos somos "educadores",
porque ensinamos
- consciente ou inconscientemente -
formas mais ou menos interessantes de viver,
que podem servir de estímulo para evoluir
ou de pretexto para manter-se na mediocridade.

Somos educadores,
quando vamos nos construindo
como pessoas melhores, mais equilibradas,
mais competentes
profissionalmente,
emocionalmente,
socialmente.

Somos educadores de nós mesmos,
se vivemos cada etapa da vida com coerência,
aprendendo a lidar com nossas dificuldades,
contradições, defeitos,
e avançamos, no ritmo possível,
tornando-nos pessoas mais afetivas, engajadas, realizadas.

Somos educadores,
quando contribuímos para motivar as pessoas
que estão perto de nós,
quando transmitimos esperança,
quando ensinamos valores humanizadores,
principalmente pelas nossas ações.

Somos educadores,
quando construímos uma trajetória pessoal,
familiar, profissional e social digna,
crescente e rica em todas as dimensões.

Vale a pena - ao olhar para nossa vida, tão rápida e insegura –
constatar que está valendo a pena,
que nosso saldo é positivo,
que não nos contentamos simplesmente em sobreviver,
que nos realizamos cada vez mais
- com problemas e contradições -
como pessoas mais abertas, humanas e atuantes socialmente.

José Manuel Moran

terça-feira, 20 de julho de 2010

Educar...ensinar...aprender


“Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu.
O educador diz: “Veja!” - e, ao falar, aponta.
O aluno olha na direção apontada e
vê o que nunca viu. Seu mundo se expande.
Ele fica mais rico interiormente...
E, ficando mais rico interiormente, ele
pode sentir mais alegria e dar mais alegria –
que é a razão pela qual vivemos.”

“A primeira tarefa da educação é ensinar a ver...
É através dos olhos que as crianças tomam
contato coma beleza e o fascínio do mundo...
Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.”

“Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados.
Seus olhos são dotados daquela qualidade que,
para os gregos, era o início do pensamento:...
...a capacidade de se assombrar diante do banal.
Para as crianças tudo é espantoso:
um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus,
os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra.
Coisas que os eruditos não vêem.”

“As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem...
O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.
Quando a gente abre os olhos, abrem-se as janelas do corpo,
e o mundo aparece refletido dentro da gente.”

“São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver.
"Elas não têm saberes a transmitir."
No entanto, elas sabem o essencial da vida.
Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir
e não se torna como criança jamais será sábio."

Rubem Alves