domingo, 3 de novembro de 2013

Não há outro caminho ...somente a Santidade


Irmãos e irmãs,
A festa de todos os Santos é momento oportuno para uma revisão de caminhada da comunidade. Olhando para os que nos precederam, santos e mártires, a comunidade é convidada a se questionar sobre seus caminho de santidade. As bem-aventuranças nos desvelam os caminhos que levam ao Pai.

A primeira leitura mostra-nos que as primeiras perseguições tinham feito destruições cruéis nas comunidades cristãs, ainda tão jovens. Iriam estas comunidades, acabadas de fundar, desaparecer? As visões do profeta cristão trazem uma mensagem de esperança nesta provação. É uma linguagem codificada, que evoca Roma, perseguidora dos cristãos, sem a nomear diretamente, aplicando-lhe o qualificativo de Babilônia.
A revelação proclamada é a da vitória do Cordeiro. Contudo, o próprio Cordeiro foi imolado. Mas é o Cordeiro da Páscoa definitiva, o Ressuscitado. Ele transformou o caminho de morte em caminho de vida para todos aqueles que o seguem, em particular pelo martírio, e eles são numerosos; participam doravante ao seu triunfo, numa festa eterna. Assim, a santidade se busca no empenho diário e na graça de Deus, que insiste constantemente para que nos aproximemos mais e mais do serviço aos irmãos.

A segunda leitura traz uma mensagem de esperança. Ela responde às nossas interrogações sobre o destino dos mortos. Que vieram a ser? Como sabê-lo, pois, desapareceram dos nossos olhos? E nós próprios, que viremos a ser?
A resposta é uma dedução absolutamente lógica: se Deus, no seu imenso amor, faz de nós seus filhos, não nos pode abandonar. Ora, em Jesus, vemos já qual o futuro a nos conduz a pertença à família divina: seremos semelhantes a Ele. Assim, seremos sempre semelhantes a ele, a medida de nossa santidade terrena. Somos chamados filhos de Deus e de fato o somos. Nossa filiação se traduz na prática da justiça se traduz na vivência das bem-aventuranças. Santidade não é uma culminância de vida, mas uma conquista no dia a dia, nos fatos corriqueiros, na busca dos acertos em família e na sociedade.

No Evangelho as Bem-aventuranças revelam a realidade misteriosa da vida em Deus, iniciada no Batismo. Aos olhos do mundo, o que os servidores de Deus sofrem são, efetivamente, formas de morte: ser pobre, suportar as provas - os que choram - ou as privações - ter fome e sede de justiça, ser perseguido, ser partidário da paz, da reconciliação e da misericórdia, num mundo de violência e de lucro… tudo isso aparece como não rentável, votado ao fracasso, à morte.
Mas que pensa Cristo? Ele, pelo contrário, proclama felizes todos os seus amigos que o mundo despreza e considera como mortos, consola-os, alimenta-os, chama-os filhos de Deus, introduzi-los no Reino e na Terra Prometida.
As bem-aventuranças também chamadas “sermão da montanha”, programa pleno do Reino dos Céus, proclamado por João Batista e pelo próprio Jesus. Agora é Jesus que, anuncia as bem-aventuranças, que enche de esperança e felicidade quem ouve Jesus. Nas bem-aventuranças encontramos valores universais, que podem ser entendidos e acolhidos por todos, como oferta de um estado de felicidade a ser vivido por aqueles que comungam com a vontade de Deus. Elas orientam para práticas a serem assumidas por aqueles que buscam a vida.
As quatro primeiras bem-aventuranças referem-se aos pobres, aqueles que choram, sofrem a opressão e exploração do sistema social, esperam pela justiça, anunciando a intervenção libertadora de Deus. As outras bem-aventuranças apontam para aqueles que se empenham em uma prática transformadora do mundo. São os misericordiosos que se solidarizam com os sofredores, com o coração desapegado das riquezas e livres para servir aos mais necessitados. Promovem a vida e a paz, comprometendo-se com a luta pela implantação da justiça característica do Reino dos Céus, no seguimento de Jesus. As bem-aventuranças situam-se entre a pobreza e a justiça. Pobreza como forma concreta de libertar-se da submissão aos interesses dos ricos e poderosos, colocando sua vida a serviço da Vida. E o apelo à justiça é o fundamento das demais bem-aventuranças, pelas quais podemos transformar o mundo, tornando-o rico em fraternidade, justiça e paz. Ser pobre em espírito é trilhar o caminho da justiça.
A Solenidade de Todos os Santos abre-nos assim o espírito e o coração às consequências da Ressurreição. O que se passou em Jesus realizou-se também nos seus bem amados, os nossos antepassados na fé, e diz-nos igualmente respeito: sob as folhas mortas, sob a pedra do túmulo, a vida continua, misteriosa, para se revelar no Grande Dia, quando chegar o fim dos tempos. Para Jesus, foi o terceiro dia; para os seus amigos, isso será mais tarde. Nesta Solenidade de Todos os Santos, a Igreja corre um véu, para nos permitir que olhemos para dentro do paraíso. Ele está prometido a quem viver a vida presente como bom filho de Deus. 
A festa de todos os santos é a festa da família dos filhos e filhas de Deus, momento propício para uma revisão da caminhada de comunidade. Muitos que nos precederam, santos e mártires, já estão na casa do Pai. E Ele nos espera de braços abertos. O nosso batismo nos deu o caminho da Santidade, que se faz com a centralidade do seguimento de Jesus, que todos devemos buscar para sermos santos e santas, pois, esta é a nossa vocação. Não é fácil para nós, como não foi fácil para São Francisco, Santa Clara, Santa Terezinha, Santo Antônio, São José e todos os outros Santos. Firmeza e fé na caminhada, este é o caminho da santidade, vivendo em nosso cotidiano a nossa vocação para a Santidade.
Fruto da conversão realizada pelo Evangelho é a santidade de muitos homens e mulheres do nosso tempo; não só daqueles que foram proclamados oficialmente santos pela Igreja, mas também dos que, com simplicidade e no dia a dia da existência, deram testemunho da sua fidelidade a Cristo. Como não pensar aos inumeráveis filhos e filhas da Igreja que, ao longo da história, viveram uma santidade generosa e autêntica no mais recôndito da vida familiar, profissional e social? Todos eles, como “pedras vivas” aderentes a Cristo “pedra angular”. Os santos são a prova viva da realização desta promessa, e ajudam a crer que isto é possível mesmo nos momentos mais difíceis da história. Assim, devemos alcançar a santidade, fazendo a vontade de Deus. Santidade é estar com Deus, e sendo mais santos, o mundo torna-se melhor para todos. Jesus, com a pedagogia das bem-aventuranças, respeita nossa liberdade de escolha, porém, aponta-nos as bem-aventuranças, como caminho para a santidade. E não há outro caminho a não ser o da santidade! Assim seja! Amém.

Um comentário:

  1. Ótima palestra,Deus seja louvado pelas santas palavras

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Palavra em mim agradece, pois seu comentário é muito importante para a nossa caminhada dialógica.
Obrigado!