segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Deus-Homem que se revela...



Este Santo Domingo leva-nos à manifestação de Jesus como "a luz" que atrai a Si todos os povos da terra. Essa "luz" incarnou na nossa história, a fim de iluminar os caminhos dos homens com uma proposta de salvação/libertação.

A primeira leitura anuncia a chegada da luz salvadora de Javé, que alegrará Jerusalém e que atrairá à cidade de Deus povos de todo o mundo. Inspirado, sem dúvida, pelo sol nascente que ilumina as belas pedras brancas das construções de Jerusalém e faz a cidade transfigurar-se pela manhã, o profeta anuncia a chegada da luz salvadora de Deus, que dará à cidade um novo rosto. Essa luz nova, que a presença salvadora de Deus trará à sua cidade, vai concentrar nela os olhares de todos os que esperam a salvação. Como consequência, Jerusalém será abundantemente repovoada, com o regresso de muitos "filhos" e "filhas" e os povos convergirão para Jerusalém, inundando-a de riquezas e cantando os louvores de Deus.

A segunda leitura apresenta o projeto salvador de Deus como uma realidade que vai atingir toda a humanidade, juntando judeus e pagãos numa mesma comunidade de irmãos - a comunidade de Jesus. A Paulo, apóstolo como os Doze, também foi revelado "o mistério". É esse "mistério" que aqui Paulo desvela aos crentes da Ásia Menor.
Em que consiste o mistério desvelado por Paulo? Consiste na constatação de que, em Jesus Cristo, chegou a salvação definitiva para os homens; e essa salvação não é exclusivamente para os judeus, mas destina-se a todos os povos da terra, sem exceção. Percebemos, assim, porque é que Paulo se fez o arauto da boa nova de Jesus entre os pagãos ... Agora, judeus e gentios são membros de um mesmo e único "corpo", o "corpo de Cristo" ou "Igreja", partilham o mesmo projeto salvador que os faz, em igualdade de circunstâncias, "filhos de Deus" e todos participam da promessa feita por Deus a Abraão - promessa cuja realização Cristo trouxe para todos nós.

No Evangelho, vemos a concretização dessa promessa: ao encontro de Jesus vêm os "Magos", atentos aos sinais da chegada do Messias, que O aceitam como "salvação de Deus" e O adoram. A salvação, rejeitada pelos habitantes de Jerusalém, torna-se agora uma oferta universal.
Notemos, em primeiro lugar, a insistência de Mateus no fato de Jesus ter nascido em Belém de Judá. Para entender esta insistência temos de recordar que Belém era a terra natal do rei David. Afirmar que Jesus nasceu em Belém é ligá-l'O a esses anúncios proféticos que falavam do Messias como o descendente de David que havia de nascer em Belém e restaurar o reino ideal de seu pai. Com esta nota, Mateus quer aquietar aqueles que pensavam que Jesus tinha nascido em Nazaré e que viam nisso um obstáculo para O reconhecerem como Messias.
Em segundo lugar, a referência a uma estrela "especial" que apareceu no céu por esta altura e que conduziu os "Magos" para Belém. A interpretação desta referência como indicação histórica levou alguém a cálculos astronômicos complicados para concluir que, no ano 6 a.C., uma conjunção de planetas explicaria o fenômeno luminoso da estrela refulgente mencionada por Mateus; outros andaram à procura do cometa que, por esta época, devia ter sulcado os céus do Médio Oriente ... Na realidade, não podemos entender esta referência como histórica, mas antes como catequese sobre Jesus. Segundo a crença popular, o nascimento de uma personagem importante era acompanhado da aparição de uma nova estrela. Também a tradição judaica anunciava o Messias como a estrela que surge de Jacob. É com estes elementos que a imaginação de Mateus, posta ao serviço da catequese. Mateus está, sobretudo, interessado em fornecer aos cristãos da sua comunidade argumentos seguros para rebater aqueles que negavam que Jesus era o Messias esperado.
Temos, ainda, as figuras dos "Magos". A palavra grega "mágos", usada por Mateus, abarca um vasto leque de significados e é aplicada a personagens muito diversas: mágicos, feiticeiros, charlatães, sacerdotes persas, propagandistas religiosos ... Aqui, poderia designar astrólogos mesopotâmios, entrados em contato com o messianismo judaico. Seja como for, esses "Magos" representam, na catequese de Mateus, esses povos estrangeiros de que falava a primeira leitura, que se põem a caminho de Jerusalém com as suas riquezas, ouro e incenso, para encontrar a luz salvadora de Deus que brilha sobre a cidade. Jesus é na opinião de Mateus e da catequese da Igreja primitiva, essa luz.
Além de uma catequese sobre Jesus, este relato recolhe, de forma precisa, duas atitudes que se vão repetir ao longo de todo o Evangelho: o povo de Israel rejeita Jesus, enquanto que os "Magos" do oriente, que são pagãos, O adoram; Herodes e Jerusalém "ficam perturbados" diante da notícia do nascimento de Jesus e planeiam a sua morte, enquanto que os pagãos sentem uma grande alegria e reconhecem-n'O como o seu Senhor.
Mateus anuncia, aqui, que Jesus vai ser rejeitado pelo seu povo; mas vai ser acolhido pelos pagãos, que entrarão a formar parte do novo Povo de Deus. O itinerário seguido pelos "Magos" reflete o processo que os pagãos seguiram para encontrar Jesus: estão atentos aos sinais - estrela, percebem que Jesus traz a salvação, põem-se decididamente a caminho para O encontrar, perguntam aos judeus - que conhecem as Escrituras - o que fazer, encontram Jesus e adoram-n'O.
A festa da Epifania, revela a bondade do Deus que deseja salvar a todos. Na pessoa dos Reis Magos, o Menino-Deus se revelou a todas as nações que, no futuro, seriam iluminadas pela luz da Fé. É o reconhecimento público da divindade do Menino Jesus.
Desta forma, celebrando a manifestação de Jesus a todos os homens e mulheres… A alegria invade cada coração, brotando da consciência de terem seguido a voz da estrela, Jesus, “luz” que se acende na noite do mundo e atrai a si todos os povos da terra. Cumprindo o projeto libertador que o Pai nos queria oferecer, essa “luz” encarnou na nossa história, ilumina os nossos caminhos, conduze-nos ao encontro da salvação, da vida definitiva.
Epifania é um convite para sermos gratos ao Senhor, o que movia os Reis Magos era o desejo de prestar culto de adoração Àquele que acabara de nascer. A ação do Espírito Santo, levando-os a Belém, ampara-se no chamado universal de todas as nações à salvação e à participação nos bens da Redenção. Se no Natal Deus se manifesta como Homem, na Epifania esse mesmo Homem se revela como Deus, em sintonia com a salvação que é oferecida a todos, por Jesus, nossa estrela-guia. Neste sentido, neste início de Ano, a festa da Epifania convida a cada um de nós, interpretar os sinais de Deus e comunicá-los aos outros a fim de construirmos uma sociedade justa e fraterna. Seguindo a Estrela, Jesus, luz que brilha em nós e para nós. Assim seja! Amém.

Obs.: Queridos amigos (as) com os quais nosso blog tem uma relação dialógica. Informo que, por dificuldades de acesso a rede não conseguimos publicar ontem o comentário da liturgia. Assim, segue hoje, desejando uma ótima semana a todos na Graça do Pai...e de nossa estrela-guia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Palavra em mim agradece, pois seu comentário é muito importante para a nossa caminhada dialógica.
Obrigado!