domingo, 11 de setembro de 2011

Perdão: amor incondiconal, essencialmente Divino



Irmãos e irmãs,
Louvamos o Pai por sua grande misericórdia em nos dar, por meio dele, o perdão que nos reconcilia e nos põe no caminho da justiça. Recordamos neste Santo Domingo, o memorial da páscoa de Jesus Cristo, que se manifesta em todas as pessoas e grupos que assumem a prática da compaixão e da misericórdia como norma de vida, especialmente aqueles que se engajam na campanha pelo cancelamento da dívida externa dos países do Terceiro mundo.

A leitura dos livros do eclesiástico nos garante que somente o perdão pode salvar uma comunidade da ruína, e esse perdão precisa ser contínuo e total. Se pusermos limites, já não seremos capazes de perdoar, nem teremos “entranhas de misericórdia”. Por isso é importante em gestos concretos a reconciliação de Deus com a humanidade e das pessoas entre si.

A carta de Paulo aos romanos ajuda as comunidades no discernimento do que as une e daquilo que separa as pessoas. Aquele que nos reúne e une em comunidade é infinitamente superior às questões que nos separam, pois, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor.

No Evangelho de Mateus, Jesus revela-nos elementos para compreendermos o perdão e sobre quantas vezes devemos perdoar. Vimos no domingo anterior que: "Se teu irmão tiver pecado...", o pecador escuta a parte ofendida, ou algumas testemunhas, ou toda a comunidade. Mas, outra questão surge, Quantas vezes essa pessoa deve ser perdoada? Pedro como porta voz do grupo, responde a si mesmo, com o que imagina ser uma resposta generosa: "Até sete vezes?" Porem Jesus o corrige e surpreende quando responde: setenta vezes sete. Não se deve entender literalmente este número, mas sim com o simbolismo que ele traz em si, significado de totalidade, plenitude, completação. Assim, ao cristão não cabe colocar limites ao perdão Nesse sentido, precisamos responder: Por que perdoar? A resposta parece óbvia, porque Deus nos mandou. Sim. Mas há também uma outra razão: porque nós também necessitamos do perdão. Se Você não tem compaixão de seu semelhante, como vai pedir perdão dos seus pecados?

Para melhor esclarecer o perdão sem limites, Jesus usa como exemplo, a parábola do devedor implacável. Esta parábola é uma outra forma narrativa para o segundo pedido que fazemos ao rezar o Pai Nosso: "perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nos perdoamos aos que nos ofenderam". Evidenciando que a disposição de Deus para nos perdoar depende da nossa disposição de perdoar os que nos ofendem. Assim, o ato de perdoar vai além do nosso entendimento humano. Porque Deus é divino, vem do alto, nasce no coração de Deus e somente por meio do Espírito Santo pode atingir o fundo do nosso coração, local onde tudo se faz e se desfaz, para que, a partir daí, possamos ter a graça santificante de perdoar os nossos irmãos assim como Deus em Cristo nos perdoou. Portanto, é de suma importância que antes tenhamos sentido no fundo do nosso coração a plenitude do amor de deus, pois, sem a experiência desse amor tão grande é impossível perdoar verdadeiramente.

Pleno de amor, precisamos de oração que conduz-nos ao perdão, ponto mais alto da oração, transformando-nos como discípulos, dando testemunho de que o amor é mais forte que o pecado e que o perdão é a condição fundamental da reconciliação dos filhos de Deus. Para perdoar é preciso compadecer-se e para compadecer-se é necessário amar incondicionalmente a Deus e ao irmão. Não há limite nem medida para o perdão, essencialmente Divino. Assim seja! Amém.

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