Esta é a resposta que damos,
em diálogo com quem preside, no início da Oração Eucarística. É o anúncio de
tudo o que faremos a seguir, começando com o prefácio. Na fé do Ressuscitado,
presente no meio de nós, com nosso coração orientado para o alto, damos graças
ao Senhor nosso Deus! O convite é dirigido a cada pessoa presente para unir-se
de coração à ação de graças que a comunidade, corpo do Senhor, animada pelo
Espírito vai fazer carinhosa e publicamente a Deus Pai, com Jesus. É nossa
vocação fundamental dar graças, reconhecendo que toda nossa vida é DOM, é
GRAÇA, é presente gratuito de Deus, sempre fiel à aliança e, reconhecendo ao
mesmo tempo, nossa constante infidelidade.
É nossa salvação fazer desta
vida um dom, uma doação generosa aos irmãos, amando até o fim como fez Jesus.
Dar graças, entregando a
vida com Cristo ao Pai. É o que realizamos na grande e solene prece de aliança
que é a Oração Eucarística, enraizada nas bênçãos judaicas, particularmente nas
bênçãos de alimentos. Toda refeição judaica e, em particular a ceia pascal,
começa sempre por uma ação de graças, uma bênção (bendição), seguida de súplica
para que Deus continue sendo pródigo com seu povo.
Dar graças e bendizer são
dois verbos sinônimos que guardam o mesmo significado e indicam o que os judeus
chamam (no hebraico) a berâkâh e que o Novo Testamento chama de Eucaristia: no
grego: eucharistein (eu = bom, bem; charis = graça, dom, favor) quer dizer “quanto
é belo, quanto é bom o presente que ofereces!”
Em
que consiste esta ação de graças que é toda a Oração Eucarística?
Consiste em juntos lembrar,
agradecer, adorando ao Pai pelas maravilhas que fez por nós na pessoa de Jesus,
seu Filho amado, principalmente pelo mistério de sua morte e ressurreição.
Confiados nesta ação maravilhosa do Senhor, suplicamos que o Pai envie seu
Espírito para transubstanciar o pão e o vinho no corpo sacramental de Jesus e transformar
a nós, comungantes, no corpo eclesial do Ressuscitado.
Jesus na última Ceia tomou
em suas mãos o pão e o vinho e deu graças primeiro. Depois entregou-os para
serem comidos e bebidos. Esta sequência nos apresenta um dado importante da
espiritualidade judaica,calcada na Aliança, que foi assumida por Jesus e pelas comunidades
cristãs. Bendizer e depois comer. Agradecemos e depois comungamos. O pão que
comemos e o vinho que bebemos é o pão e o cálice da Bênção, da ação de graças.
(cf. 1Cor 10,16-18).
Por ser pouco compreendida,
a Oração Eucarística é feita, muitas vezes, com pressa, sem convicção, sem
alegria, não suscita gratidão... Por isso, ainda é comum, pessoas acharem que o
momento mais apropriado de agradecer a Deus na Missa é só após a comunhão.
Fonte:
CNBB: Liturgia em Mutirão - Maria de Lourdes Zavarez
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