Na origem, o Credo foi
uma profissão de fé individual, destinada à liturgia do batismo, como ainda
hoje é o Símbolo dos Apóstolos. Só bem mais tarde, a profissão de fé foi
introduzida, com certa resistência, na celebração eucarística.
E isto, provavelmente,
porque a oração eucarística começou a ser proclamada em voz baixa pelo
presidente da assembléia. Não se percebeu mais que a própria oração eucarística
constitui uma profissão de fé trinitária, ação simbólicoritual, selando uma
aliança. Sentiu-se, então, a necessidade de uma afirmação solene, por parte do
povo, das verdades da fé: criação, redenção e santificação...
Assim, diz a Instrução
Geral sobre o Missal Romano: “O símbolo ou profissão de fé tem por objetivo
levar o povo a dar sua resposta de adesão à Palavra de Deus ouvida nas leituras
e na homilia, bem como recordar-lhe a regra de fé antes de começar a celebrar a
Eucaristia” (IGMR, 43).
Trata-se de um rito em
que a assembleia, de pé, renova o compromisso de pautar sua vida na Palavra do
Senhor, aguardando a plena realização de seu Reino. O Credo é a “fé de nossos
pais” que “ainda vive” e pela qual tantos deram a vida! Ele nos capacita a
entrar no ministério intercessor dos santos pela “oração dos fiéis”. Portanto,
não deve ser reduzida à simples recitação de uma oração decorada.
A forma mais comum de
profissão de fé é o chamado Símbolo Niceno: Creio em um só Deus... O Símbolo
dos Apóstolos: o Creio em Deus Pai... mais bíblico, mais próximo do querigma
original (querigma = anúncio pascal), encontrado em textos do Novo Testamento,
como At 2,22-23; 3,13-17; 10,39-40... é rezado na liturgia batismal e nas
devoções populares, inclusive no início do terço.
A profissão de fé,
realizada aos domingos e solenidades, é ação de todo o povo, ao qual se une o
presidente. Quando cantada deve ser feita por todo o povo, seja por inteira,
seja alternadamente (cf. IGMR n. 44). Em algumas ocasiões é possível também
retomar a forma dialogal prevista para a celebração do batismo ou a Vigília pascal,
seguida da bênção e aspersão com água, ou mesmo, ser substituída por uma profissão
de fé mais relacionada com o mistério do dia.
Na dinâmica da aliança,
como herdamos do povo da Bíblia, permanece a liturgia eucarística como a
ritualização mais completa de nossa adesão à Palavra, a profissão mais
importante de nossa fé, resposta comunitária à proposta de Deus realizada em
Jesus, no mistério de sua Páscoa e acontecendo, no hoje, da comunidade reunida.
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